Após o término da 2ª Guerra Mundial, ocorreu a redemocratização do Brasil, com eleições em todos os níveis. Em Itabaiana, apresentaram-se como candidatos os doutores Odon de Sá Cavalcanti e Jorge Ribeiro, pela UDN – União Democrática Nacional e pelo PSD – Partido Social Democrático, respectivamente.
O inusitado dessa disputa foi o acordo dos dois postulantes para que a campanha fosse realizada sem comícios ou outra apresentação pública, mas uma conversa de casa em casa, tarefa dos candidatos e seus auxiliares. E assim foi feito, sem qualquer ofensa, de parte a parte.
Apurados os votos, foi proclamada a vitória do Dr. Odon, por uma pequena diferença.
Na posse, que constou da cerimônia tradicional e legal, além de um baile no edifício do Fórum, para o qual compareceram o Dr. Jorge Ribeiro, o vencido, e seus familiares, além de grande número de admiradores. Foi uma posse amigável.
O Dr. Odon de Sá realizou uma administração pacífica, sem oposição ou arestas, auxiliado pela sua digna esposa, D. Dolores de Sá Cavalcanti.
Foi secretário do Dr. Odon, Pedro Souto Camuo, ex-combatente da FEB e um dos mais eloquentes oradores que a Paraíba conheceu. Pedro Souto Camuo era de uma prestimosa família, famoso pela erudição de seus trabalhos intelectuais.
(Do livro “Confissões esparsas de um rábula”, de Arnaud Costa, que será lançado em 30 de abril de 2011, em Itabaiana)
Advogado brilhante, orador fluente, político festejado pelos seus dotes pessoais, Josué Dias de Oliveira aprendeu com José Silveira, de quem foi secretário, as virtudes da serena e desinteressada dedicação às causas dos menos favorecidos.
Amigo fraternal dos servidores, apesar de alguns obstáculos causados pelo governo militar, fez uma administração digna de encômios. Sua maior obra foi a construção do Centro de Abastecimento que substituiu o antigo e infecto mercado público, monstrengo no centro da cidade. Fez estradas, calçamentos e modernizou a administração, com a ajuda do Ministério do Interior de então.
Com seus atos e suas palavras fluentes, fez proselitismo e liderou o MDB por muitos anos. Itabaiana deve muito ao prefeito Josué Dias de Oliveira, o “urubu rei”.
O Dr. Santiago era médico e político apaixonado. Como médico, diplomado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, filho de Catolé do Rocha, foi o primeiro cirurgião a realizar uma operação cezariana na Paraíba. Fundou o Hospital São Vicente de Paulo, sendo o seu diretor por muitos anos.
Como político, era comandante da antiga UDN, pela qual se elegeu deputado estadual e, após duas tentativas, prefeito da cidade. Governou Itabaiana com mão de ferro, embora tenha realizado uma gestão honesta e digna de elogios.
Tem extensa folha de serviços prestados à nossa terra, seja como esculápio competente, seja como político.
Morreu no Recife.
José Benedito da Silveira, irmão do ex-deputado Mário Silveira, despontou em Itabaiana como autêntico líder popular, cujo proselitismo ultrapassou os limites de sua terra, Mogeiro, alcançando todo o território paraibano. Foi graças ao seu prestígio que o irmão Mário foi eleito várias vezes deputado estadual.
Silveira marcou época como político popular. Como administrador diligente, dirigido Itabaiana com honestidade, decência e incrível popularidade. Concluído o mandato, eleito prefeito de Mogeiro, foi assassinado por Manoel Pereira Borges Neto no dia de sua posse, fato ocorrido no interior da loja do amigo Pedro Sérvulo. Ao seu sepultamento compareceu uma enorme multidão de pessoas que acompanharam o féretro a pé de Itabaiana até Mogeiro, em percurso de mais de 12 quilômetros. O seu nome foi bandeira de luta de muitos companheiros, ajudando a eleger Hugo Saraiva, Josué Oliveira e outros nomes do MDB.
Curiosamente, o seu assassino foi também morto no mesmo dia, dez anos depois, na cidade de Mogeiro, vítima de golpe de faca desferido por um guarda noturno daquela cidade.
Intelectual, poeta, ótimo orador, o comerciante Pinto Ribeiro governou Itabaiana no tempo da ditadura Vargas, em plena 2ª guerra mundial, ou seja, de 1939 a 1945, nomeado que foi pelo interventor Ruy Carneiro.
Austero, arrogante, embora culto, Pinto Ribeiro guardava o perfil de um autêntico ditador. Comerciante próspero, era possuidor da “Casa do povo” onde comercializava tecidos, redes e outros objetos de uso doméstico. Como político, era avesso ao populismo, tanto assim que, quando algum eleitor lhe dirigia a palavra, ele perguntava: “Você quer falar com o prefeito Pinto Ribeiro, o comerciante J.A. Pinto Ribeiro ou com o cidadão José Augusto Pinto Ribeiro? O eleitor, confuso, pergunta: “Quem é o senhor neste momento?” Pinto Ribeiro simplesmente dava as costas ao interlocutor.
No seu governo, ficou famoso o diálogo que manteve com o senhor João, velho funcionário da Prefeitura, um tanto descuidado no cumprimento de suas obrigações. Nesse tempo a Prefeitura funcionava nos dois turnos, pela manhã e à tarde. Certo dia, o contínuo João da Silva compareceu ao expediente no horário da tarde. Foi chamado ao gabinete do prefeito para se explicar. Pinto Ribeiro: “Senhor João, por que não veio no expediente da manhã?” “Porque estava chovendo”. No que o prefeito retrucou: “Que distância existe da sua casa para a sede da edilidade, e desta para minha residência?” O contínuo respondeu que a distância não chegava a cem metros. “Como então o senhor justifica o fato de haver chovido na sua casa e não na Prefeitura, muito menos na minha residência?” Sem saída, o funcionário disse: “Doutor, isso é desculpa que a gente dá…”
















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